Artigos do Prof. Marins e textos dos programas de TV

O Efeito China

 

             Participei do Seminário Internacional "Efeito China - Implicações para o planejamento estratégico empresarial" promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-China, onde estiveram as maiores autoridades mundiais em China, como Prof. Nicholas Lardy do Institute of International Economics; Prof. Huang Yaseng, do MIT; Stoyan Tenev, do IFC e tantos outros.
            A China é o hoje o 3o. maior parceiro comercial do Brasil. As importações de produtos chineses no Brasil cresceu 50% em 2004. O PIB c que era em 1978 (quando começou a abertura comercial para o mundo) 140 bilhões de dólares ‚ hoje 1,6 trilhão de dólares passando a ser a 7a. economia mundial. Em teremos de comércio mundial passou de 32o. para 3o. Lugar no mundo nesse mesmo período. Nada menos do que 20% das exportações de minério de ferro e 30% das exportações de soja brasileiros são mandados para a China. Com seus 1,4 bilhão de habitantes, a China tem inúmeros e sérios problemas. São 800 milhões de campesinos sem acesso a nenhum benefício do mundo moderno. Há  uma crise ambiental, de utilização racional de energia e de informalidade no emprego que devem ser enfrentados. Assim, com problemas e oportunidades a China, portanto, um fenômeno que não pode ser negligenciado por qualquer pessoa que queira compreender o mundo neste século XXI.
            Acredito que a lição para nós brasileiros é a de que temos que ter uma visão mais global nos nossos negócios. Somos muito domésticos. O tamanho de nosso mercado interno nos faz um pouco preguiçosos para estudar e entender mercados internacionais. Ainda não acordamos totalmente para a realidade da globalização e seus efeitos concretos em nossas empresas. Estive na China por duas vezes e vi o interesse da China pelo Brasil, pelo menos no mundo acadêmico e empresarial.     O mundo inteiro está estudando a China, a Índia, a Rússia e o Brasil, pois acreditam serem esses países os reais jogadores deste novo século. No Brasil não há cursos superiores e nem mesmo de pós-graduação e há poucos seminários e palestras sobre esses países e suas realidade. Será que conseguiremos ser competitivos sem estudar, compreender, pesquisar essa nova realidade mundial? Será que conseguiremos ser competidores globais sem que em nossas escolas, universidades e mesmo centros empresariais e de negócios haja real interesse em estudar o mundo a partir de uma visão moderna?
            O Professor Richard Locke do MIT – Massachussetts Institute of Technology – diz que há quatro estágios a serem observados num processo de mudança. O primeiro estágio é de "despertar da consciência da necessidade de mudança". O segundo estágio é da curiosidade e do interesse sobre a mudança e o que deve ser mudado. O terceiro é o de promover ações de ensaios e erros em direção à mudança. O quarto estágio e efetivamente mudar ou adotar novos comportamentos e atitudes. Numa análise rápida, parece que o Brasil, em relação à China, Índia, Rússia e outros países emergentes está ainda na fase anterior à primeira fase, pois parece que ainda não nos despertamos para a consciência da necessidade de mudar nossa visão doméstica de empresa. Sem entender a dinâmica e a complexidade do efeito China no mundo contemporâneo dificilmente teremos sucesso como player mundial nesta nova economia.
            Faça uma análise e veja se você e sua empresa estão atentos para esse novo mundo e suas oportunidades. Veja se você ainda está pensando que conseguiremos sobreviver sem nos integrarmos totalmente neste novo mundo globalizado. Veja o que você e sua empresa conhecem da China, Índia, Rússia, União Européia, sudeste asiático e pense se não seria o caso de passar a conhecer mais do mundo que nos cerca.
            A grande verdade é que temos que aprender a fazer "lição de casa", isto é, estudar, analisar dados, comparar tabelas, etc. Não dá mais para irmos "empurrando com a barriga" as nossas relações comerciais com o mundo. É preciso que sejamos mais consistentes em nossas análises e criemos mesmo rotinas sérias de análise e estudo. Se não formos capazes de fazer isso, com certeza fracassaremos.
            Pense nisso. Sucesso!

 

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