Artigos do Prof. Marins e textos dos programas de TV

Será que o Brasil tem jeito?

 SERÁ QUE O BRASIL TEM JEITO?

 

Luiz Marins

 

Tenho assistido nas empresas debates acirrados sobre o futuro do Brasil. Será que o Brasil tem jeito? Onde iremos parar? O que fazer para sair deste buraco em que nos metemos?

Para responder a essas inquietações sobre o futuro do Brasil é preciso ter uma visão global da realidade do mundo de hoje para verificarmos quais são nossas
vantagens comparativas que temos ou deixamos de ter.

Por outro lado é preciso não confundir os termos Nação, Pátria, Estado e Governo.
Quando não entendemos a diferença entre esses conceitos temos a tendência
ingênua de reduzir tudo a Governo que é transitório.

Quando falamos do Brasil, não estamos falando do governo e dos governantes e sim da Nação, do Estado, essas sim, entidades permanentes e não transitórias formadas por um povo, que é o conjunto de pessoas que formam a Nação Brasileira. Ser “patriota” não é ser ou não “governista”. Reduzir a discussão do Brasil aos atos deste ou daquele governo é, portanto, confundir conceitos.

Tenho contatos constantes com investidores, professores, pesquisadores e consultores estrangeiros, de todo o mundo. Todos são unânimes em descrever as
enormes vantagens comparativas do Brasil em relação às demais nações do
mundo contemporâneo. É importante ressaltar o termo vantagens
comparativas que faço questão de sublinhar para que não pensem os leitores
que penso ser o Brasil um paraíso terrestre, mas ao compararmos nossas
vantagens e mesmo nossa realidade, não há como não identificar uma série de
vantagens comparativas que o mundo inteiro aponta, tais como:

(a) Temos um estoque genético riquíssimo que estimula a adaptação e a tolerância. Temos a maior população de italianos fora da Itália; de alemães fora da Alemanha; de japoneses fora do Japão. Temos mais libaneses no Brasil do que no Líbano. 

(b) Não temos problemas étnicos ou religiosos sensíveis;

(c) Não temos problemas de fronteira;

(d) Falamos um único idioma;

(e) Somos a terceira ou quarta maior democracia do mundo, com poderes autônomos e independentes;

(f) Temos um setor do agronegócio capacitado para alimentar o mundo;

(g) Num mundo carente de água, temos em nosso território os dois maiores aquíferos do mundo. O maior deles - Alter do Chão - tem água subterrânea capaz de alimentar o mundo por 250 anos!

(h) O “jeitinho brasileiro” que tanto criticamos vem sendo apontado como uma barreira de entrada essencial contra qualquer fundamentalismo, seja de esquerda,
direita ou religioso;

(i) Temos um mar territorial com 8.000 km de costa capaz de alimentar milhões de pessoas;

(j) Temos um dos melhores sistemas bancários do mundo; um dos mais robustos sistemas de seguros; uma forte estrutura de bolsa de valores; etc., etc..

(k) Isso tudo sem falar da exuberante natureza e da ausência de grandes cataclismos como vulcões, terremotos de grande escala, etc.;

Esta lista (que me foi fornecida por investidores internacionais e brasilianistas
estrangeiros) por certo não finda aqui.

Muitos me perguntarão, (como tenho perguntado a esses estrangeiros que me
falam das vantagens): E a violência? E a corrupção? E a pobreza? E os problemas
na saúde e na educação?

A resposta que me dão é pedir que eu indique um país emergente no mundo de
hoje, do tamanho e das oportunidades do Brasil, que não tenha violência, corrupção, mazelas e problemas tão sérios como os nossos.

Os nossos maiores concorrentes hoje são Índia, Indonésia, Turquia e alguns adicionam Filipinas e até Vietname. Basta ler os jornais locais desses países para ver que nossos problemas não são únicos, nem maiores que os desses nossos competidores. E deles todos somos o único país Ocidental .

Esta é a Nação, o Estado, a Pátria que temos que comemorar. Se não estamos
satisfeitos com nossos governos, que aprendamos a votar em melhores representantes. Esse é o único caminho numa democracia constitucional consolidada.

Pense nisso. Pense Brasil. Sucesso!

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