Artigos do Prof. Marins e textos dos programas de TV

Quem tem medo de 2005?


Todos os indicadores econômicos são favoráveis neste final de 2004. E os dados da economia apontam para um 2005 com crescimento. Crescem as exportações e as importações. O nível de emprego parou de cair. A produção industrial tem crescido. Até a poupança interna mostra sinais de melhora.
Os indicadores sociais não são tão favoráveis, mas vêm melhorando. A velocidade não é a que todos desejamos, mas, de qualquer forma, não estamos indo para trás.

O mundo todo está falando, estudando e procurando conhecer melhor os chamados "BRIC" countries – Brasil, Rússia, Índia e China. Em qualquer universidade estrangeira que se estude ou lecione, só se ouve falar nos BRIC.
E, quem tiver uma visão desapaixonada e crítica, e não for na onda só dos especuladores financeiros, vai chegar à mesma conclusão que vários estudiosos estão chegando e que nós vimos dizendo já há alguns anos(*). A China tem tido um crescimento espetacular. Mas é preciso considerar que a base sobre a qual esse crescimento é medido era muito baixa e pobre. Além disso é preciso considerar os aspectos jurídicos, políticos, de idioma, de corrupção, antes de pensar em montar uma atividade produtiva ou uma planta, como estrangeiro, na China.

A Índia é mais fácil. Mas vamos nos lembrar que há mais de 1.200 dialetos na índia e um sistema de castas bastante complicado para ser compreendido pelos ocidentais. Assim, montar uma indústria na Índia é uma tarefa hercúlea. Há áreas (clusters) de grande desenvolvimento como Bangalore na área da tecnologia. Mas elas funcionam muito mais como empresas locais fornecendo produtos e serviços para empresas ocidentais.
A Rússia é complicada o bastante para nem sequer se pensar seriamente em investir naquele país como base produtiva, nos próximos cinqüenta anos.

O Brasil é um país ocidental, com sistema jurídico conhecido com base no direito romano. Os costumes, o idioma, o modo de viver é bastante semelhante ao dos grandes países investidores – Estados Unidos e países europeus. A mão-de-obra brasileira, quando treinada, tem mostrado ser capaz de altos índices de produtividade, comparados aos dos primeiro mundo. O mercado interno é muito atrativo. Somos um dos maiores mercados do mundo e o nono país do mundo em poder de paridade de compra – purchasing power parity – que é o que realmente interessa no mundo empresarial. Até geograficamente somos privilegiados.  Com tudo isso, sem dúvida, o Brasil irá se consolidar como uma das mais importantes plataformas exportadoras do século XXI. Montar uma fábrica no Brasil é mais fácil e seguro, mesmo com o chamado "Custo Brasil" e com os problemas que temos em nosso sistema portuário.

Assim, tem medo de 2005, o empresário que não acredita em nossas possibilidades e fica esperando para ver o que acontece. Tem medo de 2005 o profissional que não se especializa para tornar-se a cada dia mais excelente no que faz. Tem medo de 2005 o estudante que não estuda e ainda acredita que poderá "empurrar com a barriga" o seu curso e que seu diploma resolverá todos os problemas de emprego. Tem medo de 2005 aquele empresário que não compreende que qualidade, produtividade, extrema preocupação com custos, política de caixa, simplicidade e gente excelente são hoje os fundamentos do sucesso.

Têm medo de 2005 os medrosos, os acomodados, os que vivem procurando culpados para o seu fracasso. Têm medo de 2005 os que vêm todas as vantagens e aspectos positivos de outros países e só enxergam as mazelas e as negatividades do Brasil. Enfim, os mesmos....

Feliz 2005!

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