Artigos do Prof. Marins e textos dos programas de TV

Leve a vida a sério, como uma criança

LEVE A VIDA A SÉRIO, COMO UMA CRIANÇA

 

Luiz Marins

 

Pensando bem, ninguém leva a vida mais a sério do que uma criança.

A criança vive com toda intensidade cada uma das horas de seu dia. Ela curte, aproveita, não desperdiça um momento sequer para fazer o que acredita ser a hora certa de fazer.

Se as crianças não fossem crianças e perguntássemos a elas porque brincam com tanta intensidade e vontade, elas talvez nos dissessem que “a vida é curta demais para não brincar o máximo que puder”. Elas fazem do brincar o seu trabalho, a sua tarefa principal, o seu objetivo e meta a ser cumprida fielmente todos os dias e, se possível, todas as horas.

Para elas, o trabalho é coisa séria, por isso brincam com atenção aos detalhes, com comprometimento, com toda a imaginação e vontade.

Quando estão brincando, as crianças entram no estado de “flow” (fluir) que os neurocientistas dizem ser o mais precioso estado mental de uma realização pessoal. Elas estão tão absortas na brincadeira que não veem a hora passar. Se os adultos não foram lá para interromper, chamar, atrapalhar, elas brincam a noite toda e jamais se cansam de brincar.

Além disso, as crianças são sinceras. Muito sinceras. Elas não enrolam, não complicam, não dissimulam. Vão direto ao ponto e dizem o que tem que ser dito e ponto final.

Além de sinceras, não há pessoa mais assertiva do que uma criança. Quando ela quer algo, ela grita, pede insistentemente, luta até conseguir. Ela sabe o que quer e luta pelo que deseja com toda a sua energia.

E mais que isso, as crianças sabem que uma brincadeira (o trabalho delas) será sempre mais produtivo e gostoso se for feito em grupo, com muitos amigos, trocando experiências e frustrações, mas sempre juntos. Uma criança só é uma criança triste e todas elas sabem evitar a tristeza da solidão, a não ser que sejam colocadas no isolamento, por adultos sem coração.

Fora tudo isso, crianças não têm preconceitos com mais pobres ou mais ricos e não se importam com a cor da pele de seus companheiros de trabalho.

E nós, adultos?

Por que não levamos a vida a sério como as crianças? Por que não trabalhamos com a alegria de uma brincadeira gostosa? Por que insistimos em competir sem colaborar? Por que sofremos de solidão quando temos outras pessoas para brincar conosco? Por que temos tantos preconceitos bobos? Por que exigimos de nós mesmos resultados que sabemos não poder alcançar? Por que complicamos tanto? Por que não aprendemos com as crianças que a vida é curta demais para ser levada tão a sério?

Nesta semana da criança, pense em fazer da sua vida uma brincadeira séria e a reaprender a ser feliz.

Pense nisso. Sucesso!

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