Artigos do Prof. Marins e textos dos programas de TV

Profissão: Fofoqueiro(a)

 Zuleika tem como profissão fazer fofoca. Fofocar é, para ela, como o próprio ar que respira. Ninguém escapa!
 Mas Zuleika não é a única que conheço. Por incrível que possa parecer e por mais démodé que seja, existe gente que parece ter como única profissão de trabalho e de fé, o “fazer fofoca”. Segundo a definição conhecida, “fofoca” é quando duas pessoas falam de uma terceira pessoa, ausente. E falar mal dos outros, parece ocupar a maior parte do tempo das pessoas. Não sei se isso é só aqui em nossa terra, ou é em qualquer lugar. Aqui parece que a doença é mais grave. Ninguém trata de assunto algum de maneira abstrata. Não se discute arquitetura: fala-se da casa de fulano de tal. Não se discute moda: comenta-se o vestido da mulher do beltrano. Não se discute automobilismo: fala-se do carro do cicrano. Até quando será assim?
 E os comentários são os mais candentes e carregados da mais pura inveja que possa existir: “- Imagine que horror aquele vestido da Zuleika! Parece que não tem espelho na casa dela! Eu é que não saía com aquele trapo...” ou ainda “ – Que moto mais cafona a do Chiquinho! O que é que ele quer com aquela moto mais careta...” ou ainda comentários de outro nível: “ – Que casa horrível de grande a do Milton! Eu é que não moraria num trambolho daqueles...” E assim por diante. Desde o corte do cabelo, roupa, jeito de falar, etc, tudo é motivo para falar do outro e sempre mal. E quanto maior a inveja, mais graves os impropérios: “ – Aquele idiota...” , “Aquele ignorante...”, etc, etc.
 E a inveja, mãe de todos os vícios, faz com que não se perdoem os sucessos e os insucessos. Quando alguém consegue alguma coisa de importante, ou de bom, logo alguém diz que aquilo foi “roubado”, “copiado”, etc. E quando por algum motivo, alguém experimenta um insucesso, logo vem um comentário: “ – Eu sabia que ele não era capaz de nada...” E assim, de inveja e de ódio, as pessoas parecem que preenchem as horas de seu dia. Fico imaginando o que seria de algumas pessoas se fossem proibidas de fofocar. Não falariam mais, pois não são capazes de tratar de outro assunto. Só sabem falar das outras.
 E o que mais me impressiona é a saúde dessas pessoas. Elas não se cansam! Elas falam das outras de manhã à noite, incessantemente. Nem água tomam! A saliva engrossa, a língua enseba, os lábios secam e elas não param!
 Quantas “Zuleikas” você conhece? Pense nisso. Sucesso!

 

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