Artigos do Prof. Marins e textos dos programas de TV

O Bar do Vitorino, o Táxi do Geraldo e a crise internacional


 O bar do Vitorino é o bar mais sujo que conheço. Parei lá umas duas vezes porque é o único no caminho que sou obrigado a fazer todos os meses para visitar um cliente.  O banheiro não dá para usar. Não tem sabonete, nem toalha, nem papel higiênico. Os copos são sujos e manchados, as toalhas das mesas rasgadas e imundas. Ele serve um almoço rápido que não tive coragem de comer.
 O táxi do Geraldo mais parece o bar do Vitorino. Imundo. Os bancos são sujos e rasgados. Tem um pedaço da mola do banco que já rasgou várias roupas de clientes, segundo o próprio Geraldo. O carro é próprio, mas ele diz que é bobagem “investir nessas coisas” porque o dinheiro é curto. O próprio Geraldo anda mal vestido e até cheira mal, o que deu a ele o apelido de “gambᔠentre os colegas do ponto de táxi.
 Mas, o que terá a ver o colapso do mercado financeiro mundial com o bar do Vitorino e o táxi do Geraldo?
 O problema é que tanto o Vitorino quanto o Geraldo entendem tudo de finanças internacionais. Lêem jornal o dia todo. Assistem a todos os noticiários da televisão.    Sabem o nome completo dos presidentes dos Bancos Centrais dos principais países do mundo. Discutem finanças, macroeconomia e política como verdadeiros doutores. Outro dia o Vitorino me disse estar muito preocupado com a crise americana e sua repercussão nos mercados europeus. O Geraldo se mostrou desolado com a queda do valor das ações das maiores companhias americanas.     Os  dois reclamam da vida o dia todo. Dizem que os clientes estão desaparecendo e não querem pagar o que eles acham merecer pelo “duro trabalho” que fazem. Dizem desconfiar que até o sumiço de seus clientes é conseqüência dessa crise mundial da queda das bolsas internacionais.
 É claro que não penso que as pessoas devam viver alienadas da realidade internacional e das notícias, mas minha pergunta é simples: não deveriam o Vitorino e o Geraldo cuidar mais de seu bar e de seu táxi, em vez de ficar tanto tempo se doutorando em finanças internacionais? Será que em vez de comprar todos os jornais do dia e todas as revistas semanais e ler o dia todo, assistir noticiários e discutir política e economia, eles não deveriam comprar uma vassoura, um pano, detergente e limpar o bar e lavar o táxi, ou mesmo cuidar mais de sua imagem como motorista? Será que o sumiço de seus clientes se deve realmente à crise internacional? Ou ao péssimo serviço que prestam a seus clientes?
 Conheço muitas pessoas como o Vitorino e o Geraldo. E você?
 Pense nisso. Sucesso!

 

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