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  • “Dorme neném que a cuca vem pegar”

    Escrito por Luiz Marins

    notas musicaisUma das perguntas que nós, antropólogos, mais nos fazemos é de onde terá vindo a baixa autoestima do brasileiro. Tudo “lá fora” é bom. Tudo “aqui dentro” é ruim. Quando uma coisa é muito boa, bonita, funciona, dizemos “nem parece o Brasil”.

    Várias podem ser as origens do autoflagelo que nos impomos falando mal de nós próprios, uma delas vem da infância. É disso que quero comentar.

    No mundo inteiro as crianças adormecem ouvindo músicas doces e acalentadoras do espírito. O famoso “Acalanto de Brahms” diz: “Boa noite, meu bem, dorme um sono tranquilo. Boa noite, meu amor, meu filhinho encantador…” .

    E como adormece a criança brasileira?

    “Dorme neném que a cuca vem pegar, papai foi pra roça, mamãe foi trabalhar…”. Isto é – largaram você sozinha aqui! Ou ainda: “Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta!”. E outras músicas “infantis” brasileiras – todas do tipo assustador: “A canoa virou, por deixá-la virar, foi por culpa do (nome da criança) que não soube remar”. Ou ainda: “Ciranda, cirandinha…. o anel que tu me deste era vidro e se quebrou. O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou!”. Ou ainda: “O cravo brigou com a rosa…. O cravo ficou ferido e a rosa despetalada!”. “Vem cá, bitu, vem cá, bitu…. Não vou lá, não vou lá, não vou lá, tenho medo de apanhar.”

    A única vez que o brasileiro poderia vencer (embora fazendo uma coisa errada) também perdeu: “Atirei o pau no gato, mas o gato não morreu!”.

    Com tanto “susto” desde a infância, como queremos que o brasileiro tenha uma auto-estima elevada? É quase impossível!

    Assim, se quisermos vencer os desafios da motivação temos que primeiro vencer a baixa autoestima que nos faz ter medo de vencer. É preciso que nos achemos merecedores do sucesso. É preciso que deixemos de ter vergonha de fazer o certo, de encantar e surpreender. Com baixa autoestima não seremos capazes de dar o “show” que o mercado exige de nós neste mundo competitivo.

    Ninguém consegue ser ou ter sucesso sem achar-se merecedor(a) do sucesso e isso fará com que transforme sonhos em ação e ações em resultados.

    Pense nisso. Sucesso!

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