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Agentes de Bordo - uma função pioneira e de alta relevância

Sindicato realiza 2º Encontro Capacitação e Formação de Agentes de Bordo

O Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região realiza nos dias 28 e 29 de janeiro o 2º Encontro de Capacitação e Formação de Agentes de Bordo. O objetivo do encontro é aprimorar os serviços prestados pelos agentes no transporte público urbano nos municípios de Sorocaba e de Votorantim. Para isso, o Sindicato convidou o antropólogo e professor Luiz Marins para ministrar a palestra “Humanização do sistema de transporte por meio do agente de bordo”.

 

O encontro, que é voltado para os trabalhadores que atuam na função de agente de bordo, também terá palestra sobre primeiros-socorros, que será ministrada por integrantes do Corpo de Bombeiros, e a participação da Polícia Militar, da Urbes – Trânsito e Transportes e das empresas de ônibus STU (Sorocaba Transportes Urbanos), Consor (Consórcio Sorocaba) e São João (Auto-Ônibus São João).

 

A intenção do Sindicato dos Rodoviários é dar início a um ciclo de capacitação específico para cada uma das atribuições dos agentes de bordo que são: atendimento aos usuários, em especial aos idosos, gestantes e portadores de necessidades especiais, prestação de primeiros-socorros, manutenção da ordem no interior dos coletivos, coibindo a ação dos “pula-catraca”, o assédio sexual e demais formas de violência.

 

A função de agente de bordo foi criada em 2008 nos municípios de Sorocaba e de Votorantim após intensa luta do Sindicato dos Rodoviários que teve início com a demissão em massa de todos os cobradores no início da década de 1990. A cada campanha salarial aumenta o número de agentes contratados pelas empresas. Hoje no sistema de transporte público urbano de Sorocaba trabalham mais de 270 agentes de bordo, e em Votorantim, cerca de 70. O objetivo do Sindicato é garantir um agente para todos os ônibus em circulação.

Agentes de bordo no primeiro dia do encontro

A necessidade da nova função de agente de bordo surgiu dos problemas originados com a instalação das catracas eletrônicas, que removeu do interior dos coletivos o segundo trabalhador e, consequentemente, sobrecarregou o motorista, que se viu obrigado a dividir a atenção no trânsito com o controle dos passageiros; além de abrir a brecha para a ampliação da evasão de renda por meio da ação dos “pula-catraca”, da propagação da cultura de não pagar passagens e da falsificação de cartões de passe livre, para o surgimento de uma onda de tráfico dentro dos ônibus e a ampliação do assédio sexual e do desrespeito aos passageiros mais fragilizados.

Após o início dos trabalhos dos agentes de bordo ocorreu uma diminuição na evasão de renda, a ação dos “pula-catraca” foi reduzida e diversas linhas que eram consideradas problemáticas por causa da cultura de não pagar passagem foram moralizadas.

 

O professor Luiz Marins, reconhecido nacional e internacionalmente por suas palestras sobre comportamento e motivação, falou que a função de agente de bordo está em consonância com a tendência mundial de as pessoas passarem a se locomover mais por transporte público coletivo. Luiz Marins explicou que diversas pesquisas realizadas em toda parte do mundo, inclusive na Universidade de São Paulo (USP), apontam que a classe média não anda de transporte coletivo por medo de passar mal e não ter ninguém para socorrer e a função do agente de bordo vem para resolver essa questão.

 

O professor também ressaltou que a função de agente de bordo humaniza o serviço público e essa questão está em sintonia com o enfrentamento à cultura do descarte. Segundo Luiz Marins, há uma cultura do descarte, muito estudada na academia, que avalia que a sociedade virou muito utilitarista e materialista e as pessoas são vistas como caixa de ferramenta que usa e, se não serve mais, joga fora. "As pessoas perderam seu significado e o mundo todo busca mudar isso. A função de agente de bordo está em consonância com esse esforço de mudança e pode até ser replicado em todas as partes", falou Luiz Marins.

 

Para consolidar a função, Luiz Marins disse aos atentos trabalhadores que eles precisam surpreender os passageiros, fazer o que as pessoas não esperam. "Se vocês estiverem mergulhados em sua função, se cada um de vocês realmente querer é possível sim transformar a função de agente de bordo em uma função tão essencial quanto é a do motorista."

 

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